Champions “por um canudo”

Novembro 7, 2007

Na Champions há um imperativo que se impõe para as formações que ocupam o vestiário do visitante. Eficácia. Num ambiente adverso, intenso, com a equipa da casa a vir com tudo é necessário sangue frio, espírito de sacrifício, personalidade e astúcia para se desferir o golpe fatal precocemente, “congelando” assim o adversário. O Benfica teve em mãos o destino do jogo, enjeitou-o, o Celtic Park agradeceu.   

Cardozo numa noite para esquecer

Noite de gala, ambiente frenético, casa cheia no “teatro dos sonhos” escocês com 60 mil almas a empurrarem a equipa de Glasgow para a frente do marcador. Eis o cenário pintado à equipa de Camacho em jornada decisiva.

Com um meio campo robusto composto por Bynia e Katsouranis numa primeira linha de embate (e construção), Rui Costa a servir de elo entre sectores, Rodriguez deambulando entre alas e Maxi Pereira fechando o corredor direito, dando cobertura a Luís Filipe para subir no terreno, o Benfica preocupou-se sempre em manter superioridade numérica onde se ganham os jogos, e entra em campo praticando bom futebol, de pé para pé, à boa maneira latina, rendilhando os escoceses, jogando no seu meio campo, recuperando as segundas bolas ainda na zona de construção dos “católicos”. Aproveitando por um lado a fraca intensidade de jogo inicial dos visitados, e por outro a confusão na ocupação de espaços e na marcação à zona feita no centro do terreno, pelo quarteto McGeady, Hartley, Brown e Jarosic, a formação lisboeta acelerou o ritmo de jogo, executou simples e por três ou quatro vezes teve nos pés (desinspirados) de Óscar Cardozo oportunidades flagrantes para se adiantar no marcador. Era necessário concretizar, o tal killer instict pedido aos homens da frente. Tal não veio a acontecer. O Celtic corrigiu posições, e mercê do seu futebol amplamente físico, de predominância aérea, foi aos poucos encostando os portugueses ás cordas, criando posteriormente algumas ocasiões para facturar, valendo ao Benfica o acerto e a tranquilidade de Quim. A equipa de Camacho ia respondendo com Rui Costa a pegar no jogo, lançando Rodriguez pela esquerda e Luís Filipe pela direita na tentativa de municiarem o solitário Cardozo. Faltavam opções ao Benfica na frente de ataque, gente capaz de receber a bola de costas para a baliza, de tabelar ou de aparecer no limite do fora de jogo, em aceleração rumo ao golo. Faltou um pouco de Miccoli no apoio ao ponta de lança.

Quando todos se preparavam para rumar às cabines, a tenacidade escocesa materializa-se em golo, fruto do acaso diriam alguns, eu fico-me por fruto do trabalho e da ingenuidade dos encarnados directamente ligados ao lance do golo, que sabendo da apetência dos britânicos para procurarem constantemente diagonais na “zona de tiro”, descaindo para o centro, taparam-lhe a linha oferecendo-lhe o ouro, que é como quem diz, a entrada da área para fazerem porventura aquilo em que são especializados, rematar à baliza.

Na segunda parte o Benfica sentiu o golo, baixou os índices de intensidade com que tinha jogado no primeiro tempo, foi camuflando o défice físico gradual com a estratégia típica de quem está sem soluções, passes bombeados pelo ar contrariando a natureza do seu homem mais avançado.

Di Maria, Bergessio e Nuno Gomes nada trouxeram à equipa. Aí talvez coubesse a Camacho manter Cardozo, adicionando ao jogo Nuno Gomes, fazendo entrar Di Maria para as alas, retirando do jogo a bravura de Maxi que não chega para esconder o seu défice técnico sobretudo quando actua uns metros mais à frente no terreno de jogo.

O jogo não terminaria sem que Bynia (que tinha estado em evidencia no primeiro tempo impondo-se nos duelos físicos) protagonizasse um lance arrepiante. Agrediu intencionalmente um colega de profissão arriscando-se a pena severa por parte dos órgãos competentes. Para bem do futebol, e do próprio agressor, um castigo longo seria mais do que merecido.