Manuel Machado – contenção e equilíbrio

Novembro 9, 2007

Manuel Machado regressa ao Minho para treinar o Braga

Depois de anos a fio ao serviço do Vitória de Guimarães, primeiro nas camadas jovens e depois na equipa principal, passando pelo Moreirense, clube onde construiu um projecto interessante, chegando inclusive à liga principal começando o compromisso na Segunda Divisão B, Manuel Machado regressa ao Minho pela porta grande. Pelo meio, seguiram-se Nacional da Madeira e Académica de Coimbra.

Nada melhor que um clube arrojado e da dimensão do Sp. Braga, com um plantel equilibrado, carente de moral que o possa projectar para os primeiros lugares da tabela, onde o seu orçamento e projecção alcançada nos últimos anos, não permite já grande margem de erro aos seus timoneiros, Jorge Costa que o diga.

Manuel Machado, homem de ideias fixes, personalidade vincadíssima, “cientista do futebol”, representante da nova vaga de treinadores lusos, tem pela frente seguramente o desafio da sua carreira. Com um plantel de rastos, projectado para as lides europeias, pressionado pela direcção para que se intrometa entre os ditos grandes do futebol nacional, o ex-líder da Académica de Coimbra tem pela frente a responsabilidade de catapultar os “arcebispos” para o topo da tabela, fugindo a um descaracterizado 8ºlugar, nada condizente com a performance dos últimos 4 anos.

Cabe a Manuel Machado a difícil tarefa de conjugar a imprevisibilidade de Jorginho, a raça de Zé Manuel, o faro de golo de Linz, o pêndulo de Vandinho, a serenidade de Madrid, a classe de João Vieira Pinto, a dinâmica de Wender, reciclando ao mesmo tempo atletas menos utilizados como são os casos de João Tomás, Lenny, Roberto Brum ou Jaílson. Matéria-prima não faltará certamente.

Sem tempo para experimentações, o novo comandante de Braga enfrenta já no próximo Domingo a primeira “prova dos nove”. O Sporting de Paulo Bento visitará o Minho, enfrentando uma equipa arsenalista, certamente ainda muito à imagem de Jorge Costa, sobretudo na eleição do onze base. O sistema táctico (por enquanto) não deverá sofrer alterações. Porventura os mecanismos e os princípios de jogo sofrerão já alguns retoques. Com Manuel Machado, os adeptos do Sp. Braga tomarão conhecimento de uma formação menos atrevida, mais consciente das suas potencialidades, mais realista, menos imprevisível, um pouco à imagem das equipas italianas, apostando forte na luta do meio campo, defendendo em bloco, saindo rápido para o contra-golpe, consentindo ao adversário o domínio aparente do jogo. São estas as “impressões digitais” do novo líder bracarense. Um projecto de risco e de enorme responsabilidade, um intérprete à altura.