A selecção nacional joga hoje uma cartada decisiva rumo ao Euro 2008, pelo que, a margem de erro para Scolari é diminuta, para não dizer, inexistente. O técnico brasileiro – à frente da equipa das quinas desde Fevereiro de 2003 – tem no embate de hoje, com a Arménia, o momento mais importante e decisivo da sua carreira, de mais de quatro anos, em Portugal. Scolari está pura e simplesmente “encostado às cordas” como nunca estivera até então. As responsabilidades são enormes, maiores do que na final do Euro 2004 ou na meia-final do Mundial 2006. Por uma simples razão. Hoje, Portugal de ganhar, restando-lhe impor a lei natural do mais forte.

Se é verdade que Scolari pode engrandecer-se por constar como o treinador que detém o melhor registo à frente da selecção, não será menos verdade que em caso de fracasso nesta dupla jornada – hoje frente à Arménia e quarta-feira diante da Finlândia – o brasileiro despedir-se-ia de Portugal pela porta pequena, dando voz aos seus mais fiéis críticos e àqueles que vem emergindo dia após dia.
O ciclo Scolari passa neste momento pela sua curva mais descendente. Ele próprio sabe disso. Tendo perfeita consciência da sua queda na aceitação pública, o “sargentão” deixou de lado o seu habitual marketing populista, sempre presente nos momentos decisivos da selecção nacional. A falange de apoio ao ritual do brasileiro é, deveras, bem menos significativa do que por altura do Euro 2004 ou do Mundial 2006. Scolari prefere esperar para ver. E se tudo correr da melhor forma, de acordo com a normalidade, o técnico poderá, enfim, respirar, já na próxima querta-feira.
Scolari sente tanto o peso da responsabilidade, para estes dois derradeiros confrontos, que irá apresentar um sistema de jogo bem mais arrojado do que o habitual. Hoje fará a equipa alinhar num claro e bem definido 4-2-3-1. Simão fará de Deco. Aqui reside a nuance no figurino táctico. O jogador do Atlético Madrid surgirá em zonas mais avançadas do terreno do que normalmente acontece com o luso-brasileiro. Simão jogará nas costas do ponta-de-lança Hugo Almeida, alternando entre o centro e as faixas com Quaresma e Ronaldo. Perde-se em rigor táctico, recuperação de bola - apoio aos jogadores do miolo, Veloso e Maniche -, organização de jogo. Ganha-se em velocidade, rapidez de processos, mobilidade, flanqueamento de jogo.
A tábua de salvação para Luiz Filipe Scolari começa já hoje.