
Krassimir Balakov, o verdadeiro e genuíno “camisola 10” do Sporting Clube de Portugal na década de 90. Numa equipa leonina afectada pela carência de títulos, descrente, divorciada das lides da tabela, proclamando a presença de um timoneiro continuo, alguém com a perseverança necessária que devolvesse aos “sedentos” adeptos, as vitorias desportivas, já que as insistentes vitorias morais não ficariam registadas no “livro de honra”.
Com o búlgaro os títulos não chegaram. É um facto. Em cinco anos de Sporting, “Bala” conduziu os leões a uma singela Taça de Portugal no último ano de “mandato”. Mas o seu futebol causou uma ferida aberta no coração do leão. Ferida que tarda em cicatrizar. Mais de dez anos volvidos e o Sporting acusa a falta de um Balakov no centro das operações. Os craques são assim. Fazem moça por onde passam e pisam. O seu pé esquerdo não gerou títulos, mas contraditoriamente amenizou a dor leonina. Apaziguou as hostes. Ir a Alvalade era mais que sofrer pelo Sporting, era ver em acção, a humildade do furacão de leste. Krassimir Balakov era o estratega, o pensador. À semelhança de Timofte no Boavista, “Bala” marcou uma geração. Representavam porventura o mesmo para os seus seguidores. Eram os guias. A luz que iluminava a saída.
Do talento do búlgaro, emergiram golos de catálogo. Jogadas iniciadas e concluídas por si. Na retina mais desconfiada está gravado um golo marcado ao Benfica aos doze segundos de jogo. Memorável. O fulgor na condução de bola, o olhar periférico sempre apurado pronto a municiar o cérebro com as coordenadas exactas para um lançamento em profundidade a 40 metros. Era Balakov que o endossava.
Na selecção búlgara o comandante leonino teve lugar de destaque e não fosse a presença de um tal de Hristo Stoitchkov (eleito o melhor jogador búlgaro de sempre) na equipa, o jogador leonino assumiria o papel de “actor principal”. Juntos fazem historia alcançando um honroso 4º lugar no Campeonato do Mundo em 1994.
Em 1995 transfere-se para o Estugarda da Alemanha, vencendo a Taça em 1997 e a Intertoto em 2000 e 2002. Sai de cena em 2003. Para trás um recital de futebol espectáculo deixara espalhado em Alvalade. Balakov, o génio da lâmpada búlgara concedeu três desejos aos adeptos de futebol: paixão, profissionalismo e ilusão. Com o direito que lhe é merecido, concedemos-lhe um espaço de honra na tribuna das lembranças. Obrigado “Bala”.
Publicado por Eduardo Gonçalves