
Se é verdade que possuímos estádios que custaram investimentos megalómanos, onde na maioria deles impera a funcionalidade e o conforto, não é menos verdade que em muitos recintos do futebol nacional a comodidade está longe de ser a desejada, e quanto ao entretenimento, esse, só mesmo o próprio jogo nas quatro linhas.
Nevoeiro e frio, daquele frio que já se reveste de contornos de Inverno, não impediram que cerca de quatro mil aficionados – não havia números oficiais da parte da FPF – rumassem, embrulhados em cachecóis lusitanos, ao Estádio Municipal de Águeda, para ver a Selecção Nacional de Sub 21 empatar com a sua congénere inglesa a uma bola. Por mais que as presenças de João Moutinho – de quem Scolari abdicou para a jornada decisiva dos AA -, Paulo Machado ou Vieirinha pudessem motivar um público que vive ausente do convívio com o estrelato do futebol nacional, o horário tardio (21 horas) - totalmente incompreensível para um dia da semana, algo que só se verifica porque a RTP tem de transmitir o jogo, por constar no designado serviço público, e uma vez obrigada a fazê-lo, a televisão estatal “desvia-o” do horário nobre do “Telejornal” -, as baixas temperaturas e a falta de condições oferecidas pelo estádio e pela organização pesam de forma significativa e reflectem-se nesta como em outras paupérrimas assistências.
Não existe uma cafetaria, um espaço mais requentado, onde se possa enganar a fome ou aquecer as gargantas e o estômago. Apenas uma tábua de madeira a fazer de balcão. Servem-se sandes do mítico leitão e gélidas cervejas em copos plásticos, quem disse que vender álcool nos estádios era proibido? Nas pequenas terriolas vale tudo. Era como se estivéssemos num domingo à tarde a assistir a um aguerrido desafio entre o Águeda e o Estarreja. Mas, não. Era uma partida da UEFA, com o cunho organizativo da FPF. Para completar o idílico cenário de um domingo soalheiro de bola, só faltava o sol a aparecer entre as nuvens, substituindo o nevoeiro, e a bela da castanha de Novembro. O resto lá estava. Em vez dos assobios de Leiria, houve os sempre engraçados impulsos populares. Ali não houve claques organizadas. Houve gritos dispersos pelas bancadas. Ouvia-se “vai Moutinho”, ou “vai Portugal” quando a bola circulava pelos restantes 10 elementos da equipa das quinas.
O futebol veio a Águeda, e Águeda deu aquilo que tinha para dar.
Publicado por Stéphane Pires