
Se numa mera conversa de café, tendo como pano de fundo o desporto rei, decidíssemos elaborar uma curta lista contendo cinco nomes de guarda-redes da nossa liga, que pela sua qualidade preenchessem os requisitos para envergar o “manto sagrado” do nosso eterno clube, tenho poucas duvidas de que Peçanha constasse na improvisada inscrição.
O “keeper” brasileiro de 27 anos, cativo no onze do Paços de Ferreira, funciona no fundo como uma extensão da mística e da garra que José Mota transmite do banco de suplentes. Peçanha faz a ponte para as quatro linhas. A agilidade, a concentração e a frieza na “blindagem” das redes da capital do móvel representam muito mais do que a negação do golo ao adversário. As suas acções no terreno, personificam a linha de pensamento do seu treinador. É a partir do guardião pacence que toda a estratégia calculista da equipa se desenrola.
Não sendo particularmente alto nem possante (1.82m;75kg), Peçanha aposta forte na sua tremenda agilidade entre os postes, qual felino saltando de árvore em árvore, o que adicionado à sua convicção na saída aos cruzamentos, à sua rapidez de execução, e ao seu razoável poder de comunicação para com o sector defensivo, projectam-no para o topo da “cadeia alimentar” de guarda-redes em Portugal. Custa-me a crer que as suas inegáveis e unânimes qualidades não tenham sido até agora quanto baste, para que clubes de segunda linha como Boavista, Guimarães, Belenenses ou Sp. Braga o chamassem para a defesa das suas redes.
Não podemos sequer falar em acaso ou mera inspiração momentânea. Peçanha completará em 2008 a sua terceira época em Portugal sempre com uma assiduidade gritante. O seu nome já é inclusive especulado para o lote de três guarda-redes que serão convocados por Scolari para o Euro 2008, já que Peçanha é neste momento um cidadão português. Nacionalismos à parte, o “guardião” pacence tem qualidades para figurar nas escolhas de Felipão, independentemente das polémicas envoltas nos processos de naturalização.
Publicado por Eduardo Gonçalves