Marcinho – Futebol ao ritmo de Samba

Novembro 22, 2007

Marcinho é referencia no Mar�timo

Chama-se Márcio Ivanildo Da Silva mas é na simplicidade da alcunha de “Marcinho” que melhor se define a si e ao seu futebol. Há quase quatro épocas atrás, Marcinho trocou a estabilidade de uma época segura ao serviço do Santos de Léo, Diego e Robinho, pela aventura europeia que todos os sul-americanos almejam.

O seu toque de bola não engana. A graciosidade e leveza na posse do esférico, denunciam a qualidade do pé direito do brasileiro. Tendo como ponto de referência o centro do terreno, Marcinho aleatoriamente “desliza” pelas faixas “pintando-as” com “lampejos de classe”, ora na esquerda flectindo para o meio, usando e abusando da sua meia distancia, ora na direita assistindo os avançados com a precisão de quem nasceu com a bola debaixo do pé. Descarado no confronto directo, Marcinho recria-se com a bola nas “barbas” do oponente, fitando-o com uma tranquilidade desconcertante.

No onze tipo de Sebastião Lazaroni, Marcinho actua “entre linhas”, camuflando a sua falta de agressividade sem bola, enfatizando ao mesmo tempo a criatividade inata que possui, potencializando-a na explanação de jogo verde-rubro. Um das razões para não questionarmos a paixão pelo futebol. Uma das referencias da nossa liga.

  

 


Balakov, o genuíno líder chegou de leste

Novembro 19, 2007

Balakov, o génio bulgaro ao serviço do Sporting

Krassimir Balakov, o verdadeiro e genuíno “camisola 10” do Sporting Clube de Portugal na década de 90. Numa equipa leonina afectada pela carência de títulos, descrente, divorciada das lides da tabela, proclamando a presença de um timoneiro continuo, alguém com a perseverança necessária que devolvesse aos “sedentos” adeptos, as vitorias desportivas, já que as insistentes vitorias morais não ficariam registadas no “livro de honra”.

Com o búlgaro os títulos não chegaram. É um facto. Em cinco anos de Sporting, “Bala” conduziu os leões a uma singela Taça de Portugal no último ano de “mandato”. Mas o seu futebol causou uma ferida aberta no coração do leão. Ferida que tarda em cicatrizar. Mais de dez anos volvidos e o Sporting acusa a falta de um Balakov no centro das operações. Os craques são assim. Fazem moça por onde passam e pisam. O seu pé esquerdo não gerou títulos, mas contraditoriamente amenizou a dor leonina. Apaziguou as hostes. Ir a Alvalade era mais que sofrer pelo Sporting, era ver em acção, a humildade do furacão de leste. Krassimir Balakov era o estratega, o pensador. À semelhança de Timofte no Boavista, “Bala” marcou uma geração. Representavam porventura o mesmo para os seus seguidores. Eram os guias. A luz que iluminava a saída.

Do talento do búlgaro, emergiram golos de catálogo. Jogadas iniciadas e concluídas por si. Na retina mais desconfiada está gravado um golo marcado ao Benfica aos doze segundos de jogo. Memorável. O fulgor na condução de bola, o olhar periférico sempre apurado pronto a municiar o cérebro com as coordenadas exactas para um lançamento em profundidade a 40 metros. Era Balakov que o endossava.

Na selecção búlgara o comandante leonino teve lugar de destaque e não fosse a presença de um tal de Hristo Stoitchkov (eleito o melhor jogador búlgaro de sempre) na equipa, o jogador leonino assumiria o papel de “actor principal”. Juntos fazem historia alcançando um honroso 4º lugar no Campeonato do Mundo em 1994.

 

Em 1995 transfere-se para o Estugarda da Alemanha, vencendo a Taça em 1997 e a Intertoto em 2000 e 2002. Sai de cena em 2003. Para trás um recital de futebol espectáculo deixara espalhado em Alvalade. Balakov, o génio da lâmpada búlgara concedeu três desejos aos adeptos de futebol: paixão, profissionalismo e ilusão. Com o direito que lhe é merecido, concedemos-lhe um espaço de honra na tribuna das lembranças. Obrigado “Bala”.    


Scolari e a tábua de salvação

Novembro 17, 2007

A selecção nacional joga hoje uma cartada decisiva rumo ao Euro 2008, pelo que, a margem de erro para Scolari é diminuta, para não dizer, inexistente. O técnico brasileiro – à frente da equipa das quinas desde Fevereiro de 2003 – tem no embate de hoje, com a Arménia, o momento mais importante e decisivo da sua carreira, de mais de quatro anos, em Portugal. Scolari está pura e simplesmente “encostado às cordas” como nunca estivera até então. As responsabilidades são enormes, maiores do que na final do Euro 2004 ou na meia-final do Mundial 2006. Por uma simples razão. Hoje, Portugal de ganhar, restando-lhe impor a lei natural do mais forte.

Scolari no tudo ou nada

Se é verdade que Scolari pode engrandecer-se por constar como o treinador que detém o melhor registo à frente da selecção, não será menos verdade que em caso de fracasso nesta dupla jornada – hoje frente à Arménia e quarta-feira diante da Finlândia – o brasileiro despedir-se-ia de Portugal pela porta pequena, dando voz aos seus mais fiéis críticos e àqueles que vem emergindo dia após dia.

O ciclo Scolari passa neste momento pela sua curva mais descendente. Ele próprio sabe disso. Tendo perfeita consciência da sua queda na aceitação pública, o “sargentão” deixou de lado o seu habitual marketing populista, sempre presente nos momentos decisivos da selecção nacional. A falange de apoio ao ritual do brasileiro é, deveras, bem menos significativa do que por altura do Euro 2004 ou do Mundial 2006. Scolari prefere esperar para ver. E se tudo correr da melhor forma, de acordo com a normalidade, o técnico poderá, enfim, respirar, já na próxima querta-feira.

Scolari sente tanto o peso da responsabilidade, para estes dois derradeiros confrontos, que irá apresentar um sistema de jogo bem mais arrojado do que o habitual. Hoje fará a equipa alinhar num claro e bem definido 4-2-3-1. Simão fará de Deco. Aqui reside a nuance no figurino táctico. O jogador do Atlético Madrid surgirá em zonas mais avançadas do terreno do que normalmente acontece com o luso-brasileiro. Simão jogará nas costas do ponta-de-lança Hugo Almeida, alternando entre o centro e as faixas com Quaresma e Ronaldo. Perde-se em rigor táctico, recuperação de bola - apoio aos jogadores do miolo, Veloso e Maniche -, organização de jogo. Ganha-se em velocidade, rapidez de processos, mobilidade, flanqueamento de jogo.

A tábua de salvação para Luiz Filipe Scolari começa já hoje.

 


Micah Richards – Protótipo do futebol moderno

Novembro 12, 2007

Richards é já uma certeza da selecção inglesa

Chama-se Micah Richards, tem 19 anos e é neste momento seguramente um dos maiores activos do Manchester City de Sven-Goran Ericksson.

Altura, robustez e velocidade são os aliados imprescindíveis do futebol do lateral direito, formado nas escolas do clube. Ver o nº2 do City em acção é um regalo para a vista. A sua imponência física destaca-se dos demais companheiros, o corredor direito da equipa torna-se pequeno para o ritmo frenético das suas autenticas “cavalgadas” rumo ao último terço do terreno. Poder-se-ia pensar que com 19 anos apenas ainda não se tem estatuto e mestria para liderar uma equipa. Pois bem, as teorias do futebol escapam-se-nos por entre as mãos quando se deparam com um dos mais novatos atletas da selecção Inglesa AA. Leu bem. O jovem de Birmingham iludiu a critica e é já uma certeza nas convocatórias de Steve McClaren.

A sua cultura futebolística torna-o mais que um excelente lateral moderno. Micah Richards tanto pode actuar no centro da defesa, como no vértice mais recuado do meio campo, mas é na lateral que se sente como “peixe na água”.  O seu futebol intenso, disputado a ritmo alucinante esgotam os seus opositores de flanco, afinal de contas, Richards é mais que um jogador de alta competição, é um protótipo a roçar a perfeição do atleta modelo do século XXI, onde o físico se sobrepõe à técnica, a velocidade à temporização. Ainda tem muito por aprender, e corre o risco natural de se perder nas escolhas que fará a curto prazo, quando a camisola do Man. City não puder estrangular mais o seu talento. Mas se continuar a evoluir como até então, teremos brevemente mais uma certeza. Richards será um dos melhores executantes na sua posição. Um caso que lhe proponho seguir com todo o interesse.