N´Doye, estudante aprovado

Dezembro 11, 2007

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O antepenúltimo lugar ocupado pela Académica, na Liga Bwin, no presente campeonato, vem penalizar desportivamente, a carreira de alguns “estudantes” que se encontram totalmente alheados do resto da turma da Briosa. N´Doye, é a meu ver, um desses paradigmas.


Imaginemos a questão à luz do ensino académico. Numa turma desinteressada, de fraco aproveitamento, problemática q.b, onde o quociente intelectual por cabeça não arregala a vista, a aparição de um aluno motivado, estudioso, que prepara antecipadamente a aula, questiona as interjeições do sábio professor, é vista naturalmente como um caso impar, o pré-destinado, o salvador da classe. Pois bem, no actual elenco da Académica, pontificam meia dúzia de atletas que pela sua qualidade, ambicionariam outros patamares, outra “faculdade”. Um deles é N´Doye, o irmão mais velho de Dame N´Doye, um inegável talento de 22 anos “carregado” por Peseiro de Coimbra para o Panathinaikos da Grécia. Mas voltemos ao primeiro, ao Ousmane, ao que (ainda) milita na Académica. Indiscutível nas escolhas de Domingos Paciência,  Ousmane N´Doye estende o jogo da Briosa entre linhas. Não tem um futebol muito elegante e estético, digamos que alia uma execução prática aguçada a um tempo de reacção e de previsão dos acontecimentos, invulgar na equipa de Coimbra.


Protegido pela entrega quase que obsessiva de Pavlovic, e pela intermitência exibicional de Paulo Sérgio, Cris, Tiero ou Fofana, N´Doye vai-se mantendo constante nos seus princípios de jogo. Não é jogador de cavalgadas desenfreadas, não limpa o meio-campo como faria um guerreiro fixo no centro do terreno. O senegalês arruma a casa em “pés de lã”, construindo pausadamente o jogo ofensivo da equipa a partir da meia-esquerda, fazendo-se valer por uma excelente visão periférica dos colegas, não perdendo a noção de tempo e espaço, aliando-os, municiando o ataque, descaindo para posições interiores, ou puxando o pé esquerdo atrás, para ele mesmo tentar decidir.

  
Um valor seguro da nossa liga. Um activo importante nas contas da Briosa, mesmo que sublinhemos a indisciplina que por vezes o assombra. À beira de completar trinta anos, N´Doye ainda vai a tempo de se doutorar noutras faculdades mais auspiciosas, leia-se, noutras instituições com objectivos mais ambiciosos que os da Académica.