Equipa UEFA 2007

Dezembro 19, 2007

É do conhecimento geral que decorre já há alguns dias a votação no site da Uefa, para a eleição do “11 do ano” e do seu respectivo treinador. Confesso que entre os 60 nomeados, as escolhas surgem de um modo deveras previsível, arriscando-me a dizer que exceptuando káká ou mesmo Cristiano Ronaldo, ninguém porventura terá realizado um 2007 plenamente satisfatório. Por outro lado constam nomes na lista que me deixam abismado. Aguardo impacientemente que me explicitem os critérios para a sua convocatória em detrimento de outros que incompreensivelmente não pontificam nas opções.   

Polémicas à parte, aqui fica “o onze”, que na minha opinião, melhor performance obteve este ano.

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Guarda-Redes: Edwin Van der Sar. (De todas as opções parece-me a mais ajustada. O holandês de registo “low profile”, não encanta pela excentricidade que muitas vezes se clama na sua posição, mas assegura a tranquilidade necessária à defensiva do Manchester. Em 2007 foi pedra fundamental no reerguer do United rumo ao titulo. Esta época continua a exibir-se a um excelente nível. É a prova que uma carreira de sucesso se faz com perseverança, mesmo quando se passam épocas a fio na sombra, longe dos grandes palcos.)

Defesa-direito: Javier Zanetti (Reflecti entre Daniel Alves e o argentino. O primeiro confirmou o seu elevado potencial, acompanhando toda a ascensão do Sevilha, seria uma boa escolha. Mas penso que está na hora de atribuir a Zanetti o titulo individual que persegue há anos. É daqueles casos de vitalidade arrepiante. Sempre no mesmo estilo, na mesma toada, veloz, combativo, intenso, “um osso duro de roer” a atacar e a defender. É actualmente o atleta argentino com mais internacionalizações, e ninguém mais do que ele, merecia o sucesso no Inter de Milão. É a minha escolha)

Defesas-centrais: Rio Ferdinand (Pedra basilar na estrutura defensiva dos “red devils”, foi o comandante que Alex Ferguson precisava de encontrar em campo, na conquista do último campeonato. A sua voz de comando, põe em alerta o ultimo reduto do United. É rápido, tem elevado poder de choque, joga simples e no jogo aéreo é fortíssimo nas duas áreas. Fecha 2007 tal e qual como começou, na liderança da equipa de Cristiano Ronaldo.)  

Paolo Maldini (Seria lógico e legitimo escolher Ricardo Carvalho ou Nesta que estiveram muito bem, mas a minha escolha recai neste “dinossauro” do futebol moderno. Não sei o que escrever, os adjectivos esfumam-se quando me lembro da carreira deste senhor, porventura o maior ícone defensivo na ultima vintena de anos. Em 2007 e pelo 23ºano consecutivo envergou a camisola do Milan e carimbou mais uma conquista da “Champions League” sendo eleito o melhor defesa da prova. Individualmente não terá já as capacidades de outros centrais de renome, mas a força, a mística e a experiencia que empresta aos “rossoneri”, embalam a minha escolha. Um prémio de carreira, mais um.)

Defesa-esquerdo: Eric Abidal (Após a afirmação do seu futebol no Lyon, o francês consolidou o seu estatuto no Barcelona e caminha lentamente para os patamares exibicionais que o notabilizaram em França. É rápido, não evita o confronto com o oponente directo, tem um bom pé esquerdo, e é equilibrado em termos ofensivos, resguardando o flanco sempre que necessário. Um valor seguro do futebol mundial.)

Medio-Direito: Cristiano Ronaldo (Comentários para que? Este miúdo nasceu para o que faz, arrasa os adversários, põe ao rubro as bancadas, agita os corações. Em 2007 selou mais um ano de ouro, marcando golos decisivos, galopando por todo o terreno, ratificando o conceito de futebol total. A par de Káká tem tudo para ser o melhor do mundo durante alguns anos.)

Medio-Centro: Andrea Pirlo (Um dos jogadores mais finos e requintados do futebol mundial. O exemplo cabal de que não é necessário correr mais do que o necessário para estar em todo o lado. Pirlo só sabe jogar bem, e fá-lo com um critério inigualável. Magistral no passe, certeiro no remate, despido de extravagância, Pirlo “cabe” em qualquer equipa deste planeta.

Medio-Ofensivo: Káká (O melhor jogador do mundo. Inquestionávelmente. A regularidade exibicional do brasileiro não está ao alcance dos terrestres. É sempre o mais rápido a chegar a bola e a conduzi-la, “atropela” e “desmonta” qualquer adversário, dos seus pés urgem tiros de canhão, um verdadeiro atleta. A arte acorda, aninha-se e adormece aos pés de Káká. O samba ao serviço do colectivo do Milan.

Medio-Esquerdo: Clarence Seedorf (Um predestinado à moda do vinho do porto. À medida que envelhece, vai aprimorando os seus dotes. É fortíssimo no choque directo, joga e faz jogar, surge como uma flecha envenenada à entrada da área para desfeitear as redes adversárias. A cultura do seu jogo e o modo como lê cada transição ofensiva, revelam a sensibilidade que possui na decisão de entregar o esférico. Um profissional por excelência que em 2007 confirmou tudo o que se esperava dele. Um órgão vital do campeão europeu.

Avançados: Kanouté: (Um ano para mais tarde recordar. Foi o abono de família que o Sevilha precisava para alcançar a glória novamente na Taça Uefa e a estabilidade competitiva no campeonato. Conquistas e respeito por essa Europa fora, tudo com a assinatura do ponta de lança do Mali. Um verdadeiro manual de como se actuar nos últimos metros de terreno. Não vacila na hora da concretização. Pelo ar, pelo chão, de primeira ou em drible, Kanouté conquistou a Europa em 2007.)

Didier Drogba: (Na minha opinião o melhor ponta de lança da actualidade no futebol mundial. Um professor a jogar de costas para a baliza, protege a bola como poucos, esmaga a concorrência na disputa de bolas aéreas, nunca dá um lance por perdido, é ágil, precipita o pensamento actuando um décimo antes da previsão, fuzila a baliza sem autorização, de qualquer ponto do relvado. O modelo de inspiração para todos os aspirantes a goleadores. A continuar com esta performance sujeita-se a ter de puxar de uma cadeira, e sentar-se confortavelmente, à espera que o derrubem do onze da Europa.)

Treinador: Ancelotti (Escolha muito complicada. Mas o trunfo de Ancelloti falou mais alto na hora da decisão. E que trunfo. Em 2007 conquistou a “Champions” batendo o Liverpool, e pouco depois amealhou a Super Taça Europeia, desta feita impondo-se frente ao Sevilha. De estilo conservador, prático, onde a cautela é a sua melhor companhia, Ancelotti orquestrou um grupo compacto e homogéneo, à sua imagem. O A.C Milan subverte a nova cultura do futebol de alto rendimento que dita o afastamento dos trintões. Em San Siro a historia é outra, o treinador também. O núcleo da equipa faz-se de experiencia, sabedoria e muitos quilómetros de futebol. A irreverência inibe-se em detrimento do trivial, a vitória.