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No futebol de top moderno, altamente competitivo e profissional, minado pela máquina da globalização que gera milhões aos cofres dos clubes de referência, os limites dos seus intérpretes, os atletas, peças basilares desse xadrez, estão constantemente a ser derrubados, na tentativa de se superarem as suas próprias capacidades naturais, por forma a corresponderem ao seu papel dentro de campo.
Se fizermos uma retrospectiva à última década, veremos que a designação vulgar de “melhor jogador do mundo” raramente assentou mais que uma, duas épocas consecutivas ao mesmo artista. Ronaldo o “fenómeno” trouxe na década de 90 aos relvados europeus, o verdadeiro conceito “joga bonito”, citando o teaser de uma conhecida marca desportiva americana. O seu fulgor e as suas galopadas alucinantes elevaram os níveis de exigência, não deixando margem de erro aos concorrentes directos. Exigia-se a Ronaldo que fosse o melhor sempre, todos os dias em todos os jogos, em mais um arrancada, em mais um golo exuberante. Ronaldo desistiu. Não soube lidar com a pressão física e psicológica que o estatuto de rei do futebol mundial acarreta. Um ex-médico da selecção canarinha confirmou recentemente que ainda Ronaldo dava os primeiros passos no PSV e já o departamento médico do clube holandês lhe ministrava esteróides anabolizantes para que o prodígio aumentasse a sua musculatura rapidamente. Hoje, o mesmo médico brasileiro realça convictamente que a causa dos infortúnios do avançado se devem a essa mesma pressão a que Ronaldo fora sujeito quando se transferiu para a Europa. São os efeitos colaterais da competição em formato de “guerra”, onde por vezes o preço a pagar para se ser o melhor é demasiado alto.
Mais recentemente o outro Ronaldo, o Gaúcho que no fundo se limitou a dar continuidade ao futebol do compatriota, reinou e dançou ao som do samba fazendo cair sobre si os holofotes da fama. Qualidades semelhantes às do “fenómeno” valeram-lhe o estatuto de rei da bola desde que chegou a Barcelona até à final da Champions com o Arsenal em Maio de 2006. Hoje Ronaldinho é uma sombra de si mesmo, eclipsou-se e perdeu o sorriso que o caracteriza. A bola divorciou-se do 10 catalão.
Agora está Káká por cima com o terceiro Ronaldo à espreita, o português Cristiano. Ambos extremamente profissionais e com brio pelo que fazem. O primeiro mais racional, o segundo mais impulsivo e fantasista. Os “dois mais” do momento. No caso do madeirense é quase impensável que não obtenha a curto prazo o galardão de melhor jogador do planeta. O desafio será manter-se por lá mais tempo que os seus antecessores, ultrapassando os ciclos curtos de durabilidade no topo da pirâmide futebolística, provando que é guerreiro na ascensão mas também na permanência no poleiro. A vida boémia, os contratos publicitários e a pressão serão os seus outsiders. Outros putos maravilha entrarão em cena para roubar-lhe o estatuto. Só nessa altura veremos se Cristiano será apenas o terceiro capítulo da novela “Ronaldo” ou sobreviverá mais do que um par de anos como “chairman” da Companhia de Futebol Mundial. Se o conseguir entrará para a nata das elites olhando de frente para Maradona, Cruyff, Eusébio ou Pélé.
Publicado por Eduardo Gonçalves 
Publicado por Eduardo Gonçalves