
Como bom adepto que sou, dou valor a quem tem arte nas chuteiras. Pontualmente saio do domínio racional, do entendimento do jogo, da primazia do funcionamento de uma equipa como um todo e estendo o tapete aos “bons de bola”. Por vezes “esgasgam” a engrenagem e as rotinas de jogo do colectivo, com uma finta a mais, uma simulação fora de timing, prendem a bola mais um segundo e esfuma-se uma hipótese de contra ataque venenoso. Mas são eles que trazem o “sal” ao jogo.
Wesley cabe perfeitamente nessa fotografia. É a referência do Paços de José Mota. Ninguém trata a bola como ele na Mata Real. Tem um pé esquerdo fantástico, é possante, aguenta bem a carga, é malabarista e encara nos olhos qualquer defesa contrário. Entra em campo com a certeza que está na rua, na “peladinha” entre amigos de infância. As latas imaginárias são os postes e a parede é a rede. Sabe que tem nas pernas a “ginga” que só nasce com alguns, e que escasseia numa equipa de guerreiros voluntariosos. Neste desfecho facilitado, o pé canhão pacense ganha ainda mais brilho.
Não fosse o jeitinho sul-americano que lhe corre nas veias, para esbater o ritmo de trabalho europeu, para tornear o esforço e as exigências da competição, para viver á sombra do lema da canção de Martinho da Vila, “devagar devagarinho” e Wesley vestiria a 10 de importantes equipas do contexto europeu. Assim sendo ficou-se pelas tentativas no Vitória de Guimarães e no Alavés. São opções de vida numa carreira que poderia ter outro sabor bem mais aprazível.