
Gostei de ver Iniesta neste Euro 2008. Sou um fiel admirador das características deste box to box espanhol. Porém ao serviço da selecção, raramente conseguiu impor a sociedade que ratificou há já algum tempo com Xavi em Barcelona. Faltou-lhe sempre um vértice mais recuado no meio campo, capaz de perceber as suas movimentações verticais no terreno, capaz de ser o primeiro a recuperar mas também o primeiro a construir, libertando Iniesta de espaços demasiado recuados e impróprios para o seu talento.
Nesta revitalizada Espanha, surge um novo peão em campo que desamarra o prodígio catalão para o jogo. A chegada ao onze de Marcos Senna, veio trazer a confiança que Iniesta precisava para segurar o jogo da equipa. Com as costas serenamente resguardadas, Iniesta como poucos, define os tempos de jogo. Cabeça bem levantada, visão periférica. Um olho nas movimentações paralelas de Xavi e outro na referencia do ataque, “el niño” Torres. Pelo meio vai jogando e fazendo jogar. Em três tempos faz a transição. Defensivamente surge num ápice a ocupar o seu reduto. Ofensivamente tira partido da excelente circulação de bola que consegue gerar. É rápido e surge em zona de finalização com muita facilidade. É talvez este o aspecto de jogo que tenha de rever. A sua obsessão por se relacionar com o jogo e não com o golo faz com que perca algumas ocasiões flagrantes para marcar. Na cara do guarda-redes, Iniesta ainda teima em sacudir a responsabilidade do seu capote. Treme na finalização e opta por entregar o destino da bola ao colega mais próximo. Na final contra a rival Alemanha, Iniesta por mais que uma vez, esteve cara a cara com Lehmann. Retirou a pressão de si próprio e procurou um apoio directo para definir o remate letal. São lacunas evidentes no seu jogo mas que de certa forma não assombram outros atributos impares que possui. Nos últimos 30 metros e rodeado por três, quatro adversários, Iniesta tem o dom de desconcertar o momento. Fabrica uma fenda na muralha que o cerca e adorna um passe “redondo” que rasga a ultima linha contrária, isolando qualquer avançado móvel deste planeta. Foi assim na cavalgada do “Barça” rumo á conquista da Champions de 2005-06, e foi assim este ano no Campeonato da Europa.
Momentos mágicos protagonizados por quem se relaciona freneticamente com o jogo e nunca com o golo.
Publicado por Eduardo Gonçalves 
Publicado por Stéphane Pires 
Publicado por Eduardo Gonçalves 