
Gostei da exibição do Atlético Madrid neste seu regresso á elite dos campeões. Na estreia, coube-lhe a árdua tarefa de se impor num terreno complicadíssimo para quem o visita, o Philips Stadium.
O mexicano Javier Aguirre pelo que tenho visto, mantém-se fiel a um 4-4-2 puro de asas bem abertas, digamos que a variante base deste modelo de jogo. Muito se discute se é possível nos dias que correm, (onde as equipas cada vez mais apetrecham o meio-campo com varias unidades na tentativa de segurar as rédeas do jogo), que uma formação se apresente apenas com dois homens no centro das operações. A chave para derrubar o classicismo deste esquema táctico reside a meu ver, em duas possíveis nuances. Os dois médios centro têm de ser tacticamente exemplares, e fisicamente disponíveis para aguentar a intensidade e o volume de jogo, sendo que um deles terá de se posicionar mais próximo da linha defensiva. E os alas tem de se voluntariar constantemente na ocupação de espaços quer no corredor interior, quer no extenuante auxilio aos seus laterais. Com esta dinâmica de movimentação defensiva, o quarteto encurta espaços, fecha linhas de passe e resguarda o ultimo sector.
Ora não é fácil encontrar alas que o saibam fazer, e acima de tudo que estejam dispostos a tanto sacrifício. Talvez por isso Simão tenha arrumado com a concorrência no Atlético de Madrid. Não é tão virtuoso e malabarista como um Reyes ou até mesmo um Cléber Santana mas é muito mais do que isso. É garantia que é o primeiro defensor do seu flanco e o primeiro a jogar para a equipa. Parte para o individualismo como recurso e por isso se vem afirmando na extrema-esquerda. Na direita fecha Maxi Rodriguez ou Luís Garcia. No meio está o pêndulo Assunção, na “cabeça da área” quando preciso, e o fulgor de Maniche que ora pressiona atrás, ora aparece no espaço vazio para receber mais á frente, dando profundidade na transição ofensiva.
Atrás um quarteto denso comandado por Léo Franco : António Lopez e Luís Perea nos corredores, Ujfalusi e Heitinga como pilares no eixo. Lá na frente Aguero e Folan, uma dupla fortíssima.
É possível jogar em 4-4-2 clássico. O procurado sucesso advém da dinâmica que os seus intérpretes lhe dão, e o Atleti é um bom exemplo disso, como já foi há algum tempo o Valência de Cúper ou de Benitez.
Publicado por Eduardo Gonçalves 

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