
As opiniões de café dividem-se quando a conversa ganha rigidez táctica. Dizer-se que Barcelona, Manchester United ou Chelsea são antros sagrados de génios da bola é redutor. Por detrás da constelação de estrelas há um guia espiritual, um general ditador ou um democrata flexível. Mas mais do que vincar a sua personalidade no balneário, é imperativo exteriorizar a sua filosofia de jogo, dispor as “pedras” no tabuleiro de acordo com o seu pensamento e a sua concepção táctica.
Aqui entramos num dossier complexo. Há treinadores que procuram moldar um plantel ao seu esquema táctico. São rígidos, cautelosos e avessos ao risco, sabem que têm boas hipóteses de triunfar seguindo os pressupostos que adquiriram desde o início da carreira e aos quais se mantiveram fieis. Por outro lado existem aqueles, normalmente mais jovens, dispostos a radiografar o plantel para lhe retirar os sintomas tácticos mais aconselháveis. Por vezes perdem-se na indecisão e os objectivos ficam para trás. Adiante.
No baú das tácticas latinas pontificam hoje o 4-4-2 e o 4-3-3.
Inúmeras equipas actuam em 4-4-2 por essa Europa fora. Em Portugal temos como exemplo o Benfica e o Sporting. Na Espanha o Real Madrid ou o Valência. Na Inglaterra o Manchester United ou o Arsenal. Todos actuam tendo como princípio de jogo a colocação de 4 homens na intermediária. Jogando com alas bem abertos ou num rebuscado losango, é evidente que são as dinâmicas de jogo adquiridas no treino que irão doutrinar as movimentações em campo, saber quem sobe e quem fica, quem compensa, quem aparece no espaço. Tudo “subcapítulos” de uma base universal, o 4-4-2.
De escudo em punho defendendo o sucesso do 4-3-3 temos o Porto de Jesualdo Ferreira. Barcelona, Chelsea ou Lyon também assentaram o seu sucesso recente neste pressuposto táctico. No 4-3-3 a ocupação de espaços é bem mais trivial. A própria disposição natural no terreno por parte dos jogadores ajuda a que os espaços defensivos e ofensivos de uma equipa estejam bem mais preenchidos, melhor arrumados diria. No fundo nesta variante táctica os mecanismos de jogo são a meu ver mais facilmente apreendidos, não necessitam de um profundo conhecimento táctico do jogo por parte do seu mentor. As tarefas em campo são mais facilmente absorvidas e a equipa conquista os seus equilíbrios precocemente.
Ao invés, com 4 homens no centro da batalha, apesar da teórica superioridade numérica, a eventual indisciplina táctica dos seus alas ou a sua deficiente condição física deixam o duo de centro campistas reféns do adversário, e com dezenas de metros por palmilhar, partindo consequentemente a equipa ao meio. Por outro lado quando bem interpretado no plano ofensivo, a equipa estende-se a toda a largura do terreno, jogando mesmo assim apoiada, podendo ensaiar um cem número de situações de golo distintas.
Dilemas tácticos do século XXI.
Publicado por Eduardo Gonçalves 


Publicado por Stéphane Pires 
Publicado por Stéphane Pires 