
Dos 10 golos apontados pelo Paços de Ferreira esta época, o avançado William de 26 anos carimbou 6 tentos, gozando até ao momento do estatuto de “artilheiro” da Liga Sagres. Foi contratado com o objectivo de libertar a equipa dos últimos lugares da classificação, e não tem sido pela sua prestação, que os “castores” ocupam um preocupante penúltimo posto.
Na época passada, quando ia sentindo o pulso à equipa do Paços, constatei inúmeras vezes que a equipa era demasiado curta, que Edson, Cristiano, Carlos Carneiro ou Wesley não tinham o killer instinct que a Mata Real precisava. Este ano a equipa tem estado mais solta, tem criado e concretizado mais ocasiões de golo mas o problema parece ter recuado no campo. O Paços de Ferreira sofre demasiado.
O carioca William veio conferir à equipa maior imprevisibilidade, instinto na procura de espaços, “faro” pelo golo, algo que desde os tempos de Ronny não via na capital do móvel. Com William, o conjunto de Paulo Sérgio ganha claramente uma referência no ataque, uma espécie de “onda transmissora” que interfere fortemente na recepção de sinal da turma pacense. Desconstruindo, William galvaniza a equipa, incentiva-a a criar futebol. Mexe-se muito bem dentro e fora da área e tem aquela dose de egoísmo no sangue, que muito prezo num matador. E é bom de bola. Sinto-o numa fracção de segundos, numa simples recepção, num esgueirar para a finalização, no encantamento pelo golo. Até pode não fazer muitos mais durante a época, mas o bom futebol criará sempre empatia com as suas botas.
Publicado por Eduardo Gonçalves 
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