Roger, talento e temperamento

Outubro 31, 2007

Roger o maradoninha brasileiro

Roger, o “maradoninha” como carinhosamente era apelidado pela “torcida” do Fluminense, equipa que o exibiu pela primeira vez ao mundo do futebol, foi (e ainda hoje é) um dos maiores desperdícios que alguma vez o desporto rei registou.

Vi evoluir por esses relvados fora, na última quinzena de anos, alguns dos melhores executantes de sempre, jogadores que faziam da bola a sua confidente, tratando-a com afecto inesgotável, ligados por “laços de sangue”. Roger era um bom exemplo. Ele e a bola eram um só. Uma aliança inquebrável. Um pacto de não agressão constante. Ele protegia-a, ela oferecia-lhe o mundo. E Roger alcançou o céu, mesmo que por momentos.

Técnica dos pés à cabeça, futebol de rua personalizado pelo seu pé esquerdo miraculoso. Roger move-se em campo com a certeza de ter areia por debaixo dos pés. Brinca e brincava sobre ela constantemente, para azia dos seus treinadores, para delírio e êxtase da bancada. O íman que trazia junto à bota nunca foi encontrado, escondia-se e beijava a “redonda” cada vez que se tocavam. Magia pura em campo. Não penso duas vezes se tivesse de eleger os maiores artistas da bola. Artistas e não jogadores competitivos ao mais alto nível. Essa faceta é para os que encaram o futebol como uma profissão séria. Isso não era ele, não nasceu para correr e para trabalhar como os outros, terá pensado. Trocou tudo para se dedicar a aperfeiçoar o seu estreito relacionamento com a bola e não com o jogo, muito menos com os colegas. Tudo pela beleza do espectáculo. Tudo por mais um drible, mais um defesa “desmontado”, mais um remate fulminante. Tudo por amor à sua mais que tudo, aquela que o ajudou a chegar à Europa e provavelmente aquela que o cegou ao ponto de não ter evoluído os seus índices físicos, temperamentais e de entrega em campo. A bola numa atitude egoísta retirou-lhe o discernimento e uma carreira ficou para trás.

Hoje seriam poucos os magos do futebol que lhe poderiam ensinar algo mais. Mas Roger tomou a sua decisão. Sentenciou o seu trajecto futebolístico. Trocou as exigências incontornáveis do futebol europeu por mais um drible, mais um “nó cego”, mais um improviso, mais uma partida de futevolei na cidade maravilhosa. O pequeno génio tem hoje 30 anos e ajuda pontualmente o Flamengo, seu clube actual a conquistar (também pontualmente) os 3 pontos. Pelo meio muitas discórdias com os seus treinadores, com a direcção e com os aficionados do clube com mais adeptos no mundo. E tudo porque Roger morrerá sem se entregar ao jogo. Apenas e só…à bola. 

    

   


Humildade reconhecida

Outubro 30, 2007

Adu tem na humildade do seu discurso o seu maior aliado

A humildade deste miúdo espanta-me. Se no inicio, aquando da sua chegada, duvidei do seu discurso demasiado “verde” ingénuo e anormalmente puro, nada condizente com o rótulo de craque que trazia ao peito, não passando porventura de uma farsa orquestrada por si, que visaria esconder as debilidades do seu futebol, orientando as atenções da imprensa para a sua postura fora de campo, qual bom samaritano, hoje assumo a minha “mea culpa”.

Estava realmente enganado, afinal de contas, a pureza do ganês embora nada usual nos dias que correm, é legítima e verdadeira. O jovem africano revela uma personalidade semelhante à dimensão do seu futebol. A pureza das suas palavras vai de encontro às suas performances na liga Bwin. Não é o melhor jogador do campeonato, não é o melhor do seu clube nem tão pouco pode ser considerado hoje um bom jogador. Parafraseando o atleta, diria que é apenas e só um aprendiz com alguma matéria-prima para se tornar num bom criativo.

Adu apenas quer aprender. E aprender com o maestro da Luz. Caberá a Rui Costa traçar a caminhada do discípulo de Pélé, para que a soccer league receba o crédito que anseia. Por enquanto vai treinando e assistindo às emoções do futebol europeu sentado no banco das segundas opções. Invariavelmente. Mas com uma diferença para os demais. O sorriso de orelha a orelha que o distingue dos pseudo craques – protótipos lusos, geração Ronaldo. Esse sorriso teima em não desaparecer. Com a dedicação angelical que demonstra, pródiga nos filhos de África, Adu alcançará o êxito que lentamente vai “cozinhando”. Por enquanto, ainda em fase de maturação, lá vai marcando aqui e ali, como que pagando a prestação aos aficionados encarnados, dizendo-lhes que esperem por ele e que lentamente, engendrem um novo cântico para adornar o seu nome. Sem pressas claro.


Jorginho, o dilema táctico de Jorge Costa

Outubro 27, 2007

Jorge Costa terá em Jorginho uma solução?

O “quarto grande do futebol nacional” está cada vez mais personalizado, mais crescido, passando por um processo gradual de maturação. O Braga vai ganhando estofo a cada jogo que passa, apresentando-se à Europa do futebol como se já fosse cliente habitual destas andanças internacionais. No jogo de quinta-feira, os comandados de Jorge Costa entraram de peito feito no reduto do Bolton e mostraram uma qualidade de jogo bem superior aos ingleses. Faltou mais alguma coragem e, sobretudo, mais esclarecimento nos lances de ataque.

Houve serenidade defensiva, transmitida pelos centrais Paulo Jorge – muito bem no sentido de colocação – e Rodriguez, excelente a jogar na antecipação. Pressing alto e rápida recuperação de bola, por banda do trio do meio-campo – Andres Madrid, Catanheira e Vandinho – com o brasileiro também responsável pelas transições. Boa circulação de bola. Porém, faltou quem pensasse o jogo da turma bracarense. Os arcebispos estiveram orfãos de um estratega, de um médio criativo – organizador, de um elo que fizesse a ligação entre as linha intermediária e o ataque. Alguém que pudesse também funcionar como um segundo avançado, no apoio ao desamparado Linz. Pedir tudo isto a Vandinho está fora de questão.

Jorginho será o jogador que o Braga apresenta nas suas fileiras com as características mais indicadas para tais funções. Para se assumir como pensador de jogo, para definir com que linhas se cozem as ofensivas arsenalistas, para ser o patrão de jogo da equipa. Por esta razão, Jorge Costa não abdicou da sua presença no onze titular, mesmo tendo que o amarrar a uma ala. O técnico esperava de certo que o ex. portista pegasse de quando em vez na batuta do jogo, flectindo para o centro do terreno, sendo compensado na ala pelas subidas frequentes de João Pereira. Todavia, Jorginho raramente o fez. Com um jogo muito rendilhado, pouco esclarecido, perdeu-se frequentemente em lances de individualismo na ala direita ou na ala esquerda.

E se em vez de um 4-3-3 Jorge Costa tivesse apresentado diante do Bolton um “losango” (4-1-2-1-2) ou uma “árvore de natal” com apenas um trinco ou com um duplo-pivot (4-1-2-2-1 ou 4-2-2-1-1)? Alternativas tácticas que poderiam potenciar o papel de Jorginho enquanto organizador de jogo, colocando-o no seu verdadeiro habitat. Mas será que o jovem treinador contava com peças para estes puzzles? Vejamos o losango. A trinco, o vértice mais recuado, surgiria inevitavelmente Andrés Madrid, como médio interior direito apareceria Vandinho e a interior esquerdo estaria Castanheira – tem rotinas no lado esquedro do ataque, desde há muitos anos – , o playmacker seria então Jorginho, e como dupla de ataque, Linz e, porque não, Zé Manel? Rápido, explosivo, raçudo. Uma boa aposta para quebrar os rins dos sempre lentos defesas ingleses, como se veio a comprovar no lance do suposto penalty. A grande dúvida neste losango seria, eventualmente, a profundidade que Vandinho e Castanheira, este último já sem grande explosão, poderiam conferir ao jogo bracarense.

 Já o recurso a uma das duas variantes da “árvore de natal” – ilustremente executadas e exemplificadas pelo AC Milan – parece bem mais complicado. No 4-2-2-1-1 teria de se colocar um jogador ao lado de Andrés Madrid, o que poderia funcionar como embaraço táctico para o argentino, que veria o seu raio de acção muito mais reduzido, com eventuais problemas na ocupação dos espaços. Por sua vez, para jogar em 4-1-2-2-1, João Pinto – a braços com um processo disciplinar – seria o único com caraterísticas para fazer uma dupla de organizadores com Jorginho.

 


Dragão chora no poste das lamentações

Outubro 27, 2007

Deparei-me com um fenómeno berrante em pleno Vélodrome. Sentei-me no sofá, não descolei os olhos do ecrã durante mais de 90 minutos mas senti que a minha visão me ceifava o raciocínio a cada minuto. Algo não batia certo. A equipa de arbitragem constava. A de Jesualdo também. A terceira não esteve em campo. Subiu ao relvado para fazer um golo e esgueirou-se com o rabo entre as pernas para o subsolo mais próximo. Nada havia a fazer. O dragão não tem sangue, tem classe, não respira oxigénio, inspira maturidade. Engoliu o Marselha durante todo o combate. Resultado? Voou para a invicta com uma anedótica ferida e consciente que tudo fez para sair ileso.

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A qualidade deste Porto surpreende-me a cada instante. Se fosse um homem, seria um doutor na casa dos 40, inteligente, astuto, sóbrio e com relativa experiência de vida que lhe permite fugir aos problemas de forma simples e quase desprezável, longe dos sustos e embates constantes a que os mais novos estão sujeitos. O Dragão é assim. Não evidencia problemas. Cria soluções.

Confesso que esperava um jogo bem mais equilibrado. O Marselha lidera o grupo, ganhou em Anfield Road, jogava em casa, e tudo tinha para encantar os seus adeptos com uma exibição vistosa. Contudo, uma entrada voraz em campo por parte dos “azuis e brancos”, cedo convenceu os franceses que aquela não seria a sua noite. Em 20 minutos de jogo, o F.C.Porto faz 6 remates à baliza da casa. Dois deles, protagonizados por Meireles, selaram a trave à guarda de Mandanda. O Marselha respondeu com… 0 remates. Confrangedor diria. A cilindrada deste Porto não deixou margem de manobra ao motor a vapor gaulês. Com um trio fortíssimo no meio campo (Lucho, Meireles e Assunção mais recuado) embatendo de frente com a concorrência, aniquilando-a, e projectando a equipa para diante, facilmente se adivinharia uma vitória bem folgada. Com um fio de jogo descomplexado, pressionando alto, defendendo forte e sem hesitações, com pulmão para jogar mais uma hora, o bloco nortenho jamais cederia.

Porém no futebol não há certezas, e muito menos justiça. A anedota do mês consumou-se. Caído do céu o golo encontra a bota do atacante Niang, estavam decorridos 69min. Mas a toada do encontro manteve-se. Quaresma pela esquerda, Postiga pela direita (rendendo Mariano) e Lisandro ao meio continuavam o massacre às redes marselhesas. O mais que esperado golo portista surge por Lucho, aos 78 min. na cobrança de uma grande penalidade, que veio trazer ao jogo alguma verdade. E digo alguma, porque não fosse o desacerto na finalização e a dez minutos do fim o Marselha podia estar a braços com uma embaraçosa goleada.

Quem assistiu ao encontrou terá ficado com uma certeza na mente. Este Porto tem tudo para seguir em frente no grupo e para dar que falar no “mata-mata” que se segue. A ver vamos onde cairá o Dragão e se cairá.


O tango argentino e o bom gigante

Outubro 26, 2007

“O tango argentino e o bom gigante”. Daria um belo nome de filme, porventura de uma comédia romântica, mas pode também servir para intitular a história do jogo Benfica – Celtic, da passada quarta-feira, a contar para a terceira jornada da Champions League. As personagens, essas, chamam-se Di Maria e Óscar Cardozo.

Cardozo

Quando tudo parecia irremediavelmente perdido, com a equipa da Luz na mira de ceder mais dois pontos no seu terreno, eis que surge o génio de um chico alegre e franzino, mostrando que nem só de bailado se faz o tango argentino. Concentração, visão, subtileza, precisão, e classe, muita classe, fazem também parte da dança que é o futebol nos pés de Di Maria. E claro, tudo isto só funciona na perfeição quando do outro lado também se dança ou joga com elegância. O par é um gigante, mas não só de altura. Aquela recepção de peito, gesto técnico perfeito, e o consequente selar da dança, o golo que arrancou os aplausos e soltou as gargantas do anfiteatro encarnado, permitem que se apelide Cardozo de bom gigante.

O internacional paraguaio demonstra, cada vez mais, possuir um conjunto de artefactos pouco comuns em jogadores de tão elevada estatura. Para além de ser uma referência na área, algo que não se consegue só pela altura, mas sobretudo pela ocupação de espaços, pela capacidade de choque e, também, pelo instinto de conseguir estar no sítio certo para tentar fazer golo.  Cardozo tem tudo isto e tem muito instinto, mesmo que os golos tenham custado a aparecer. Certo é que o paraguaio está onde é preciso. Resta-lhe ganhar a confiança necessária, e, aí, poderá se tornar num ponta-de-lança temível, à imagem de um Luca Toni ou Roy Makaay. 

Depois, para além de ser uma referência na área, é também, muitas vezes, o primeiro construtor de ataque do futebol benfiquista. Ganha imensas bolas divididas, pelo ar e pelo solo, joga muito bem de costas para a baliza, segurando a bola e dando espaço para que os homens da linha intermédia subam no terreno e dêem continuidade ao lance ofensivo. Mas, como nem só de virtudes vive um bom gigante, o jogo aéreo no momento da finalização é ainda precário. Lembrem-se daquela bola adocicada num cruzamento com conta, peso e medida do vizinho Rodriguez. Talvez umas horas de visionamento de DVD`S com as fantásticas cabeçadas concretizadoras do lendário Mário Jardel possam ajudar.

 Dois homens do colectivo encarnado serão igualmente decisivos para o aumento da veia concretizadora do paraguaio no jogo aéreo. Di Maria e Rodriguez, abertos nas alas, têm tudo para municiar, volto a repetir, em conta, peso e medida o bom gigante.


Batalha romana perdida no meio-campo

Outubro 26, 2007

Juan abre a contagem

Em Roma, vitória justa por parte da equipa italiana. Criou mais ocasiões de golo, forçou o Sporting a recuar no terreno e criou bastante perigo em cruzamentos e lances de bola parada.

Sem Polga no eixo defensivo, Paulo Bento optou por “prender” Miguel Veloso no sector mais recuado, limitando o raio de acção do jovem leão, não lhe dando a ousadia que necessita para subir no terreno com a bola colada ao pé esquerdo, explanando o futebol ofensivo e gerindo os tempos de ataque como tão bem sabe fazer.

Com um meio campo em claro défice nas recuperações de bola, entregues (quase) exclusivamente a João Moutinho “encravado” no cerco montado por De Rossi e Pizzaro, deitando ao mesmo tempo um olho às movimentações de uma segunda linha formada por Mancini, Giuly e Cassetti, o Sporting carente de centro campistas robustos teve em Izmailov e Vukcevic as armas que dispunha para fechar as alas. O russo tentou cumprir defensivamente como é seu hábito e a espaços surgiu em zona de finalização. O sérvio por sua vez, enquanto teve pulmão foi preciosa ajuda a Ronny no flanco esquerdo. No centro, Romagnoli, só na segunda parte conseguiu por em prática aquilo que se lhe pede, transposição rápida para o ataque tentando esticar o jogo ofensivo dos lisboetas, procurando solicitar mais jogo à frente de ataque, onde um ingénuo Djaló e um desamparado Liedson não conseguiam espaços para concluir.

Não se pode dizer que a Roma foi dona e senhora da partida, aliás em determinadas alturas do jogo o Sporting esteve por cima dos acontecimentos, mercê de um futebol “rendilhado” e de pé para pé, faltando-lhe claramente mais presença nos últimos metros do terreno para assustar convincentemente as redes de Doni. Parece-me que é no último terço do relvado que residem as dificuldades leoninas. Faltam desequilibradores nas contas de Paulo Bento, faltam jogadores que assumam as rédeas da equipa ofensivamente para que um ponta-de-lança da craveira de Liedson possa ser potencializado.

Uma nota final para Purovic e Paredes (extensível a outros atletas menos utilizados da equipa sportinguista). Não se compreende como jogadores deste nível possam representar uma instituição com o peso e a dimensão da equipa de Alvalade. Purovic não tem presença na área, não se vislumbra o seu jogo aéreo, não é forte de costas para a baliza, nem tão pouco cria espaços para os companheiros. Paredes? Foi sem duvida um excelente jogador, mas hoje essa performance é uma miragem. A sua predisposição e movimentação no terreno de jogo são no mínimo…caricatas. Erros de “casting” que ocupam o espaço de jovens como Adrien Silva e outros mais. É a cultura que temos, e que pese embora tenha vindo a ser esbatida, ainda hoje perdura. O que vem de fora é que é bom.


Copo curto para a Carlsberg Cup

Outubro 22, 2007

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Jogos da Taça da Liga, denominada de Carlsberg Cup, são sinónimo de rotação de atletas para as equipas maiores do futebol nacional. Os técnicos aproveitam para rodar, dentro do possível  – os regulamentos impõe um mínimo de cinco titulares dos últimos dois jogos da Liga – os plantéis, fazendo alinhar os jogadores menos utilizados. Assim fez Jesualdo Ferreira e o Fátima aproveitou. Paulo Bento imitou o professor e o mesmo Fátima, para já, voltou a aproveitar. Camacho não destoou dos seus rivais e o Setúbal deu um ar da sua graça no inferno apagado da Luz.

Fátima, Setúbal, Guimarães e Estrela só provaram que os três grandes, Porto, Benfica e Sporting, estão longe de possuir plantéis vastos em qualidade. A tal premissa de ter dois jogadores para a mesma posição, se existe, existe apenas em número, não em qualidade. Vejamos. Gladstone está longe de transmitir a segurança e a liderança de Polga à defesa leonina. No meio-campo sportinguista, só o Paredes que jogou no Porto há alguns anos faria esquecer por momentos o cerebral Veloso – a âncora insubstituível da nau de Alvalade – e, talvez, ainda mais dramático é pedir a Pontus Farnerud para preencher a zona, leia-se, quilómetros, em que João Moutinho se move. Celsinho até poderá ser alternativa ao previsível Romagnoli, mas para já falta-lhe ritmo.

Virando a agulha para o outro lado da segunda circular, o panorama não é mais animador. Miguelito está a anos-luz do jogador que marcou pontos ao serviço do Rio Ave ou do Nacional da Madeira – nos insulares rendia a lateral ou a extremo -, muito longe de ser alternativa a Léo ou ao adaptado Paulo Ferreira na Selecção Nacional. No eixo defensivo, colocar Zoro a formar dupla com Luisão pode ser letal. Falta velocidade, espontaneidade e agilidade. Coentrão e Bergessio – figuras de proa na fase de preparação da época – estiveram completamente ausentes da partida. O argentino ainda teve a oportunidade de fazer o gosto ao pé, mas, mais uma vez, voltou a ser perdulário, revelando uma notória falta de instinto para jogar na zona de finalização. Houve ainda Yu Dabao, esforçado, lutador, mas muito inocente. Voltou Mantorras e com ele a Luz acende-se, porém a luminosidade de ideias que o angolano traz ao ataque encarnado é demasiado ténue. Valeu Adu, que trouxe algum esclarecimento e com ele o golo que disfarça, em parte, as carências de um plantel demasiado curto para todas as frentes.

Será de condenar a opção de Jesualdo, Paulo Bento e Camacho rodarem os plantéis nos jogos desta nova competição, arriscando-se a ser vítimas de “tomba-gigantes”, promovendo “festas da taça” antecipadas? Penso que não. Se os planteis são compostos por 22 jogadores ou mais, estes terão de mostrar algum valor. Mais do que valor, diria estofo. Se não conseguem impor-se nos momentos em que os técnicos precisam, independentemente do adversário se chamar Fátima ou Estarreja, muito terá de ser reflectido pelos homens-fortes do futebol nos respectivos clubes.