O ‘onze 2008’ de portugueses no estrangeiro – sem os mais mediáticos

Dezembro 18, 2008

Equipa-2008

A escassos dias de encerrar o ano de 2008, proponho-me a escolher um ‘onze’ formado por jogadores portugueses que actuam no estrangeiro, tendo por base os seus desempenhos, de Janeiro a Dezembro – desta minha equipa, decidi deixar de lado os nomes mais consagrados, dando oportunidade a outros bons valores do nosso futebol, muitas vezes também presentes nos grandes palcos do desporto-rei.

Guarda-redes: Daniel Fernandes (Bochum) – Terceira opção virtual da selecção nacional (atrás de Quim e Eduardo), Daniel Fernandes aparece como opção lógica para a baliza deste team. Entre os guarda-redes portugueses a jogarem fora de portas, apenas Ricardo (é mediático e perdeu a titularidade no Bétis de Sevilha) ou Nuno Claro (suplente no aportuguesado Cluj) poderiam fazer sombra ao ‘titularíssimo’ do Bochum. Daniel Fernandes não poderá ser dissociado da má campanha da formação alemã na Bundesliga – é penúltima classificada -, no entanto, pelas qualidades técnicas, pela compleição física, e pela tenra idade (25 anos), é um  valor assegurado entre os guarda-redes portugueses.

Defesa-direito: Tony (Cluj) – Antigo defesa-direito do Estrela da Amadora, o transmontano Tony integra a armada portuguesa na equipa romena do Cluj, tendo cooperado na conquista do título 2007 -2008 na Roménia, feito esse que deu passaporte para a Liga dos Campeões’ 08. Na fase de grupos da Champions, Tony esteve presente, como titular,  em quatro dos seis encontros que os romenos disputaram. Estreou-se no mítico Olímpico de Roma, contribuindo para a surpreendente vitória  (2-1) diante de  Totti & Companhia. Actuou  no nulo caseiro frente ao milionário Chelsea, à segunda jornada, seguindo-se a presença na dupla jornada com o Bordéus – as duas primeiras derrotas do Cluj na prova. De Sandinenses, Chaves, Amadora aos embates com Lampard, Totti ou Gourcouff. Assinalável.

Defesa – central: Cadú (Cluj) – Capitão e pedra basilar na equipa do Cluj, Cadú, a cumprir a terceira época na formação romena, assume-se como o patrão de uma defesa que conseguiu parar a avalancha ofensiva do Chelsea (0-0), na segunda jornada da Liga dos Campeões. Totalista na Champions, o ex-boavisteiro, de 26 anos, já fez saber que persegue o objectivo de representar a selecção das quinas. Queiroz tem a palavra final.

Defesa – central: Ricardo Costa (Wolfsburgo) – Titular indiscutível no seio da defesa do ‘europeu’ Wolfsburgo, o mundialista Ricardo Costa vem construindo um percurso sólido na Bundesliga. Além da boa campanha na liga alemã – o Wolfsburgo ocupa o 9.º lugar com os mesmos pontos do Werder Bremen, depois de na época anterior se ter qualificado para as competições europeias -, o ex-dragão tem também contribuído para a excelente prestação da formação germânica na actual edição da Taça UEFA. A uma jornada do termo da fase de grupos, o Wolfsburgo já assegurou um lugar nos 16 avos-de-final,  ao qualificar-se num agrupamento que inclui AC Milan, Braga (a equipa de Ricardo Costa veio ganhar à ‘Pedreira’ por 3-2), Portsmouth e Herenveen.

Defesa – esquerdo: Antunes (Lecce) – Emprestado pela AS Roma ao mediano Lecce, Antunes tem vindo a jogar um pouco mais na Série A. Conta, até ao momento, com 10 actuações na presente época. Dada a escassez de defesas-esquerdos no futebol português, a escolha do ex-pacense torna-se quase obrigatória.

Médio – defensivo: Dani (Cluj) – Um ilustre desconhecido antes de se sagrar campeão romeno pelo Cluj e de marcar presença na Liga dos Campeões. A par de Cadú, Dani é o português mais influente na equipa do Cluj. Na liga milionária, o trinco, natural de Barrosas (Felgueiras), falhou apenas um jogo – no Stade Chaban Delmas, em Bordéus. Numa altura em que se questiona a falta de um trinco para o ‘onze’ da selecção nacional, porque não testar Dani?

Médio – centro: Neca (Ankaraspor) – Após uma passagem discreta pelo Konyaspor, Neca vive, esta época, o seu melhor momento no futebol turco. Camisola 10 do Ankaraspor, o ex- Marítimo, Vitória de Guimarães e Belenenses pauta o jogo do actual quinto classificado da liga turca, a apenas dois pontos do líder Sivasspor. E nos últimos jogos, Neca até tem feito o gosto ao pé.

Médio – direito: Tiago Gomes (Steaua de Bucareste) – ‘Rival’ de Tony, Cadú e Dani, o antigo médio do Estrela da Amadora, Tiago Gomes,  tem vindo a exibir-se a bom nível no emergente futebol romeno, ao serviço do Steaua de Bucareste. Esta época, o jovem de 23 anos estreou-se na Liga dos Campeões,  participando em cinco jogos da fase de grupos. No desaire da sua equipa no estádio Gerland, ante o Lyon, Tiago, que jogou a titular,  foi apontado pela crítica como o melhor elemento do Steaua. Na liga romena, a formação de Tiago Gomes ocupa o quarto lugar, a seis pontos do rival de Bucareste, o Dínamo. Depois de falhada a transacção para o Málaga, Tiago tem vindo a mostrar o seu potencial nesta sua primeira aventura fora de portas.

Médio – esquerdo: Eliseu ( Málaga) – A cumprir a segunda época ao serviço do Málaga, Eliseu é já uma das grandes figuras desta equipa espanhola. Recém-promovida ao primeiro escalão da liga espanhola, a equipa do Málaga vai-se mantendo na primeira metade da tabela classificativa e Eliseu tem brilhado intensamente. Dos pés do ex-jogador do Belenenses saiu o golo mais rápido da liga espanhola’ 08. Aos 36 segundos, Eliseu apontou o primeiro golo da vitória, por 4-0,   do Málaga frente ao Recreativo de Huelva – mais tarde, fecharia mesmo a contagem do marcador. O jogador natural de Angra de Heroísmo sente-se feliz em Málaga e está muito perto de renovar contrato.

Avançado: Paulo Costa (Anorthosis) –Na sua terceira época no futebol cipriota, Paulo Costa  atingiu o apogeu, este ano, ao serviço do Anorthosis. Sagrou-se campeão nacional do Chipre e marcou presença na Liga dos Campeões, depois de ter eliminado o habitué Olympiacos na pré-eliminatória. Na fase de grupos, Paulo Costa esteve em campo em quatro partidas do Anorthosis – diante do Inter de Milão, Werder Bremen e Panathinaikos (em casa e fora).

Avançado: Edinho (AEK) – Depois das passagens pelo Braga, Paços de Ferreira, Gil Vicente e Vitória de Setúbal, Edinho cumpre a segunda época ao serviço do AEK de Atenas. Forte, explosivo e veloz, Edinho vem emergindo cada vez mais no futebol helénico. O seu AEK ocupa o quinto lugar da liga grega, posto que garante a presença na UEFA.

 


O que diferencia os Zés?

Novembro 18, 2008

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José Mourinho e Manuel José. O que terão estes dois senhores em comum? O nome, a profissão, prestígio internacional, conquistas (de ligas de campeões, inclusive). Mas porque será José Mourinho Special e Manuel José não? O simples facto de Mourinho ganhar no mediático e industrial futebol europeu faz toda a diferença, mas há muito mais para além disso.  

Centremo-nos no discurso. Ouvir Mourinho numa conferência de imprensa, ou numa entrevista mais particular, é sempre excitante. Basta recordar os momentos de apresentação aos media, aquando das chegadas ao Porto, Chelsea e Inter. “Tenho a certeza de que seremos campeões nacionais na próxima época”; “I’m a special one” ou “Non sono un pirla” foram expressões marcantes, que criaram enorme frisson. Mourinho tem e cultiva um tom de desafio e de confiança extrema, mas dificilmente cai no ridículo. Fá-lo com charme e pose.

Por seu lado, Manuel José promove imperativamente um discurso de avareza, de ‘bota abaixo’, de mesquinhez. Faz acusações que deixa por meias palavras, oferece os seus serviços, com uma postura despropositadamente altiva, para treinar em Portugal. Sempre que os holofotes se viram para a sua pessoa, ou seja, quando os seus feitos o justificam, como a recente conquista da Liga dos Campeões Africanos, pelo Al-Ahly, o ex-treinador do Benfica, Marítimo e Boavista aproveita para lançar farpas em vários quadrantes.

“Com Pinto da Costa à frente do FC Porto, nem morto”; “Estava tudo montado para Carlos Queiroz ser o seleccionador”; “Eu sabia que não ia ser seleccionador, porque sei o que se passa no futebol português, quais são as ligações que existem, os rabos-de-palha”, foram algumas das últimas ‘profecias’ do tetra campeão africano de clubes. Penoso, deprimente.


John Terry – O reverso negro da medalha

Junho 6, 2008

O futebol brinda-nos constantemente com momentos mágicos. É uma mistura de sensações contraditórias que vorazmente nos entopem as veias. Em segundos tudo muda e muda também o estado de alma de quem está sentado no sofá. A final da Champions foi exemplo cabal disso. John Terry antes de avançar para a fatídica marca dos 11 metros, rubricou uma exibição notável, ofuscando o brilhantismo dos atacantes do Manchester United. Estava a partida na rectal final quando miraculosamente, o capitão do Chelsea salva o golo que ditaria a vitória dos “Red Devils”. Nada o fazia prever mas Therry, fiel á sua personalidade dentro de campo, fez das tripas coração e heroicamente evita o inevitável. Foram minutos em êxtase para o timoneiro dos “blues”, as câmeras cinicamente destacavam o feito do guerreiro, para minutos mais tarde o apunhalarem pelas costas, quando falhou onde jamais poderia falhar. Errou o pontapé que o atiraria para a glória. Idealizou a bola a anichar-se nas redes antes de ter partido ao seu encontro. O relvado qual Judas, encarregou-se de o entregar novamente as olhos do mundo pelas piores razões. Therry cai ao chão e o troféu mais ambicionado na Europa do Futebol saiu pontapeado em direcção á bancada.

Num momento herói, no outro crucificado e enclausurado. E só o futebol para apadrinhar este sentimento tão efémero.

 


Sempre e para sempre “El Pibe”

Maio 16, 2008

O tempo pára e veste-se formalmente a preto e branco. Congela-se a si próprio,  anestesiado, prisioneiro da sua própria nostalgia. Doa de coração toda a cor que dispõe para que “El Pibe” suba só mais uma vez ao palco. Pesado, lento, sofrido, mas sempre e para sempre excêntrico. Aquele pé esquerdo solitário transporta-nos para lá do horizonte, faz-nos sonhar acordados, refugia-nos das carências do nosso futebol. Maradona não é futebol. É paixão exacerbada pela arte. Com ele a bola jamais partirá para longe. É um compromisso com o divino. Sublime.


Eriksson e S.L.Benfica – A procura de uma identidade

Maio 13, 2008

Sven-Goran Eriksson será tudo indica, o próximo treinador do Sport Lisboa e Benfica. Passados quase 26 anos o destino do sueco está prestes a cruzar-se novamente com o do “gigante adormecido”, o clube das massas, o desgastado glorioso. Impõe-se a reflexão crónica. Que Eriksson é este que se sentará no banco de suplentes encarnado? Que Benfica é este que o sueco irá encontrar pela frente? Para as duas questões a mesma resposta. Nem Eriksson é o mesmo, nem tão pouco a águia se encontra com a saúde de ferro de há duas décadas atrás.

 

Sven tem hoje 60 anos sublinhados por uma face algo enrugada e um cabelo próprio da idade. Na mala traz alguns títulos conquistados na Suécia, em Portugal e finalmente por Itália, onde construiu o seu nome. O mesmo é dizer que desde 2001-02, aquando da sua passagem para seleccionador Inglês, que o treinador sueco não sabe o que é ganhar. Há sete anos que Eriksson vive na saudade de alcançar o êxito outra vez. É neste contexto que Eriksson e Benfica se encontram em rota de convergência. É uma espécie de reatamento de um namoro antigo. As pessoas mudam, os clubes também. Uns evoluem, outros regridem, outros entram em marasmo desportivo e económico. Por mais que se queiram aproximar e reatar um relacionamento, as diferenças entre ambos podem ser incrivelmente profundas. Resta saber se Sven-Goran Eriksson ainda tem aos 60 anos, força e acima de tudo motivação para procurar reestruturar um clube, devolver-lhe a ambição e restituir-lhe uma identidade diluída no tempo e esmagada pela frenética gula de terceiros. Ou por outro lado se é Portugal um escolha meramente tropical, de boa comida e vida boémia apetecível, um paraíso para pré-reformados financeiramente bem acolchoados.

 

Se o sueco aterrar em Lisboa com a mesma mentalidade que doutrinou aquando da sua última passagem pela Luz, o Benfica poderá estar relativamente descansado. Contudo, caberá á direcção do clube encarnado, satisfazer as exigências de Eriksson no mercado de transferências. E bem sabemos que se há coisa que Eriksson não prescinde é de milhões para contratar e milhões para receber. Ora milhões são também itens que não rimam bem na luz. Na fenda das indecisões poderá estoirar um novo divórcio assente na insustentabilidade de governar um clube sem estratégia de fundo, de forma meramente superficial, confiando o destino exclusiva e cegamente nas mãos de (mais) um D. Sebastião. É Eriksson o eleito para surgir numa manhã de nevoeiro.

 


Emoção vale o desconforto?

Novembro 23, 2007

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Se é verdade que possuímos estádios que custaram investimentos megalómanos, onde na maioria deles impera a funcionalidade e o conforto, não é menos verdade que em muitos recintos do futebol nacional a comodidade está longe de ser a desejada, e quanto ao entretenimento, esse, só mesmo o próprio jogo nas quatro linhas.

Nevoeiro e frio, daquele frio que já se reveste de contornos de Inverno, não impediram que cerca de quatro mil aficionados – não havia números oficiais da parte da FPF – rumassem, embrulhados em cachecóis lusitanos, ao Estádio Municipal de Águeda, para ver a Selecção Nacional de Sub 21 empatar com a sua congénere inglesa a uma bola. Por mais que as presenças de João Moutinho – de quem Scolari abdicou para a jornada decisiva dos AA -,   Paulo Machado ou Vieirinha pudessem motivar um público que vive ausente do convívio com o estrelato do futebol nacional, o horário tardio (21 horas)  –  totalmente incompreensível para um dia da semana, algo que só se verifica porque a RTP tem de transmitir o jogo, por constar no designado serviço público, e uma vez obrigada a fazê-lo, a televisão estatal “desvia-o” do horário nobre do “Telejornal” -, as baixas temperaturas e a falta de condições oferecidas pelo estádio e pela organização pesam de forma significativa e reflectem-se nesta como em outras paupérrimas assistências.

Não existe uma cafetaria, um espaço mais requentado, onde se possa enganar a fome ou aquecer as gargantas e o estômago. Apenas uma tábua de madeira a fazer de balcão. Servem-se sandes do mítico leitão e gélidas cervejas em copos plásticos, quem disse que vender álcool nos estádios era proibido? Nas pequenas terriolas vale tudo. Era como se estivéssemos num domingo à tarde a assistir a um aguerrido desafio entre o Águeda e o Estarreja. Mas, não. Era uma partida da UEFA, com o cunho organizativo da FPF. Para completar o idílico cenário de um domingo soalheiro de bola, só faltava o sol a aparecer entre as nuvens, substituindo o nevoeiro, e a bela da castanha de Novembro. O resto lá estava. Em vez dos assobios de Leiria, houve os sempre engraçados impulsos populares. Ali não houve claques organizadas. Houve gritos dispersos pelas bancadas. Ouvia-se “vai Moutinho”, ou “vai Portugal” quando a bola circulava pelos restantes 10 elementos da equipa das quinas.

O futebol veio a Águeda, e Águeda deu aquilo que tinha para dar.


Champions “por um canudo”

Novembro 7, 2007

Na Champions há um imperativo que se impõe para as formações que ocupam o vestiário do visitante. Eficácia. Num ambiente adverso, intenso, com a equipa da casa a vir com tudo é necessário sangue frio, espírito de sacrifício, personalidade e astúcia para se desferir o golpe fatal precocemente, “congelando” assim o adversário. O Benfica teve em mãos o destino do jogo, enjeitou-o, o Celtic Park agradeceu.   

Cardozo numa noite para esquecer

Noite de gala, ambiente frenético, casa cheia no “teatro dos sonhos” escocês com 60 mil almas a empurrarem a equipa de Glasgow para a frente do marcador. Eis o cenário pintado à equipa de Camacho em jornada decisiva.

Com um meio campo robusto composto por Bynia e Katsouranis numa primeira linha de embate (e construção), Rui Costa a servir de elo entre sectores, Rodriguez deambulando entre alas e Maxi Pereira fechando o corredor direito, dando cobertura a Luís Filipe para subir no terreno, o Benfica preocupou-se sempre em manter superioridade numérica onde se ganham os jogos, e entra em campo praticando bom futebol, de pé para pé, à boa maneira latina, rendilhando os escoceses, jogando no seu meio campo, recuperando as segundas bolas ainda na zona de construção dos “católicos”. Aproveitando por um lado a fraca intensidade de jogo inicial dos visitados, e por outro a confusão na ocupação de espaços e na marcação à zona feita no centro do terreno, pelo quarteto McGeady, Hartley, Brown e Jarosic, a formação lisboeta acelerou o ritmo de jogo, executou simples e por três ou quatro vezes teve nos pés (desinspirados) de Óscar Cardozo oportunidades flagrantes para se adiantar no marcador. Era necessário concretizar, o tal killer instict pedido aos homens da frente. Tal não veio a acontecer. O Celtic corrigiu posições, e mercê do seu futebol amplamente físico, de predominância aérea, foi aos poucos encostando os portugueses ás cordas, criando posteriormente algumas ocasiões para facturar, valendo ao Benfica o acerto e a tranquilidade de Quim. A equipa de Camacho ia respondendo com Rui Costa a pegar no jogo, lançando Rodriguez pela esquerda e Luís Filipe pela direita na tentativa de municiarem o solitário Cardozo. Faltavam opções ao Benfica na frente de ataque, gente capaz de receber a bola de costas para a baliza, de tabelar ou de aparecer no limite do fora de jogo, em aceleração rumo ao golo. Faltou um pouco de Miccoli no apoio ao ponta de lança.

Quando todos se preparavam para rumar às cabines, a tenacidade escocesa materializa-se em golo, fruto do acaso diriam alguns, eu fico-me por fruto do trabalho e da ingenuidade dos encarnados directamente ligados ao lance do golo, que sabendo da apetência dos britânicos para procurarem constantemente diagonais na “zona de tiro”, descaindo para o centro, taparam-lhe a linha oferecendo-lhe o ouro, que é como quem diz, a entrada da área para fazerem porventura aquilo em que são especializados, rematar à baliza.

Na segunda parte o Benfica sentiu o golo, baixou os índices de intensidade com que tinha jogado no primeiro tempo, foi camuflando o défice físico gradual com a estratégia típica de quem está sem soluções, passes bombeados pelo ar contrariando a natureza do seu homem mais avançado.

Di Maria, Bergessio e Nuno Gomes nada trouxeram à equipa. Aí talvez coubesse a Camacho manter Cardozo, adicionando ao jogo Nuno Gomes, fazendo entrar Di Maria para as alas, retirando do jogo a bravura de Maxi que não chega para esconder o seu défice técnico sobretudo quando actua uns metros mais à frente no terreno de jogo.

O jogo não terminaria sem que Bynia (que tinha estado em evidencia no primeiro tempo impondo-se nos duelos físicos) protagonizasse um lance arrepiante. Agrediu intencionalmente um colega de profissão arriscando-se a pena severa por parte dos órgãos competentes. Para bem do futebol, e do próprio agressor, um castigo longo seria mais do que merecido.