Giggs, 17 anos a servir Old Trafford

Novembro 29, 2007

manu_ryangiggs11.jpggiggs_.jpg

A história de Sir. Alex Ferguson ao leme do “navio” do Manchester United, confunde-se com a carreira futebolística de um homem que só conheceu a cor do “red devils”, Ryan Giggs. Para o galês, Old Traford já não esconde segredos. Gerações novatas chegaram, gerações experientes partiram, Giggs esse, permaneceu, sereno, intacto, revestido por um manto de profissionalismo que insiste em não atirar ao chão.

 

Corria o longínquo ano de 1990 quando o veloz esquerdino se estreou no “teatro dos sonhos” com uns tímidos 17 anos. Sem créditos firmados, um rookie chegara para desafiar a lei dos “doutores” de Manchester. O tempo, aliado intocável de Giggs apenas veio carimbar com um certificado de garantia, a qualidade futebolística do camisola 11 do United.

 

Vejo futebol com olhos de ver há pouco mais de quinze anos. Durante todo esse tempo, jamais ousei identificar outro jogador com o mesmo número nas costas, na meia-esquerda dos “red devils”. Tarefa impossível. Giggs esteve sempre lá, com uma subtileza indestrutível. Ainda me recordo dos primeiros tempos como “treinador” de teclado ao comando do Man. United no mítico Championship Manager , corria a época de 93-94. No meu onze já constava o nome do galês pronto a rasgar pela ala, saindo fulgorosamente em drible directo, “comendo” metros e metros de relvado à velocidade da luz, imitando o seu semelhante na vida real. Os atributos técnicos, psicológicos e físicos no topo dos topos. Soberbo.

 

Volvidos uns expressivos 14 anos, muita coisa mudou. O tempo de uma vida quase. O futebol mudou, os esquemas tácticos evoluíram, a partida ficou ainda mais rápida. Até as leis de jogo foram alteradas. Surgiram novos craques, novas fintas, o joga bonito impregnou-se na mente do fiel adepto. É tempo de Ronaldinhos, kákás e Ronaldos. Mas ainda é tempo de Giggs e dos seus honrosos 34 anos.

 

Até o Championship cedeu à pressão, perdendo irremediavelmente tempo de antena para um novato nestas andanças, o Football Manager. O velocista galês resistiu a tudo e confrontou as leis da natureza. Em pleno certame 07-08 lá está Giggs “omnipresente” no fatídico corredor esquerdo, plantado em Old Traford. Os atributos actuais evidenciam algum desgaste. Mas não o suficiente para que “Sir. Ryan Giggs” não repita as suas célebres arrancadas, mais espaçadas no tempo de jogo é certo, mas com as mesmas “ganas” de sempre. O perfil genético mantem-se intocável. A falta de fulgor evidenciada aqui e ali é escondida subtilmente, apoiada por um futebol mais interior e de proximidade física com os colegas de equipa, escapando da prova de fogo constante que é jogar escancarado, aberto na ala. Giggs não nega a linha, nem tão pouco o contacto directo com o rival, digamos que a velocidade desmedida deu lugar à contenção, ao rigor na poupança de energia para uma sustentabilidade mais lógica e consentânea com a sua idade.

 

Mas ainda assim olho para o futebol de Giggs com a mesma emoção dos tempos em que o “treinei” no esquecido CM 93-94. Um exemplo para todos os aspirantes ao sucesso no futebol moderno.

Anúncios